sábado, 25 de julho de 2009


De todos os adolescentes são esperados comportamentos rebeldes e a rebeldia já virou, inclusive, sinônimo de adolescência. Esta relação feita entre esta fase da vida e este padrão comportamental faz com que a rebeldia seja entendida como uma característica própria da idade, que passa com o tempo e que, como tal, não pode ser solucionada nem discutida. Na verdade a rebeldia é um comportamento comum na fase adolescente, comum no sentido de freqüente e não de próprio desta fase. O próprio da fase adolescente, universal e que inevitavelmente acontece com todos os jovens normais, são as mudanças corporais, o aparecimento do interesse sexual, a mudança de outros tipos de interesse e uma nova forma de se relacionar com o mundo, que não é mais infantil nem adulta e que, portanto, caracterizam uma fase de transição muito marcante. Todas as transformações biológicas e físicas provocam reações diferentes nas pessoas que lidam com o adolescente. Uma grande confusão a respeito do que permitir, o que proibir e o que pode ser aceito desta nova pessoa, acontece com os adultos. Todas as modificações da adolescência provocam conflitos na forma do adulto se relacionar com o adolescente e a sociedade também provoca discussões e leis confusas, que autorizam o voto e outras responsabilidades e desautorizam responsabilidade criminal e outras coisas, fazendo com que a maturidade do jovem seja vista de diferentes formas. Tudo isto é polêmico, controverso e confuso e é este conjunto de coisas que caracteriza o ambiente do adolescente como confuso e conflituoso. A institucionalização das características adolescentes também provocam expectativas de que com todos eles, tudo aconteça exatamente da mesma forma nesta fase e a criança que cresce ouvindo que será assim a partir de determinada idade, provavelmente desenvolve alguns comportamentos para responder ao esperado, sem que isto se desenvolvesse normalmente. Frente a estes aspectos, é desleal atribuir à fase adolescente toda a responsabilidade pela rebeldia comum nesta fase. Dependendo da relação familiar e do grupo de convívio do adolescente, suas características podem ser diferentes do esperado. Nem todos os jovens desenvolvem os mesmos comportamentos convencionados como característicos, e nem todas as famílias têm problemas na definição de como educar o adolescente. A rebeldia pode ser apenas uma reação à falta de jeito dos adultos para lidar com esta nova fase, da falta de compreensão, apoio e esclarecimento das modificações, que podem assuntar o jovem, se forem absolutamente desconhecidas, e de outros problemas de trato com esta pessoa, que não pode mais ser tratada como a criança que era, e que não tem maturidade suficiente para assumir uma vida adulta. Se os adultos que se relacionam com o adolescente continuam a tratá-lo como criança, se não conseguem aceitar que os interesses dele são outros e não tiverem condições de estabelecer uma relação de colaboração e confiança, a probabilidade de rebeldia na adolescência continuará sempre fazendo com que esta característica seja marcante nesta fase.
Por issO naum nos condenem sem provas..................

Sobre amar e ser amaDo by:Feh

Posso até levar um puxão de orelha por transitar por um assunto tão batido. Mas este texto é uma resposta a uma provocação. Para aquela moça que anda em dúvida se termina ou não o namoro que não anda lá aquelas coisas, aí vai: é melhor amar do que ser amado. E a constatação não é minha, não. A oração de São Francisco de Assis, lá das penumbras imemoriais da Idade Média, já dizia isso. “Mestre, fazei que eu procure mais amar que ser amado.”
Explico. Ser amado é bom. Quem não gosta de ser paparicado, elogiado, desejado por alguém? Isso é muito gostoso, eleva a auto-estima, nos faz sentir como se únicos. Os melhores. E não é só nas relações conjugais. Elogio de trabalho também está valendo. Elogio do pai, da mãe, da avó, do professor. A alma é muito afeita aos comentários positivos.
Porém, amar é diferente. E não há nada melhor que amar. Se por um lado, ser amado envolve um sentimento de carência, de déficit de carinho e atenção – talvez uma herança, algum trauma da infância que deve ser resolvido um dia – amar é um sentimento gratuito e livre. Não envolve “atingir expectativas” de ninguém. A gente ama porque ama. Ou, se existe algum motivo, ninguém descobriu ainda.
Não é bom precisar ser amado. Isso é um sentimento ruim, produto de coisas mal resolvidas. Quem tem sempre essa necessidade absurda de ter alguém que o ame precisa de ajuda psicológica. Para que possa entender melhor a vida e seus amores. Para saber, como disse Schopenhauer, que o amor é uma coisa importantíssima para a vida, mas ele não tem toda essa relação com a felicidade que muitas vezes pensamos. Aí, Tom Jobim, talvez seja possível ser feliz sozinho!
Eu sei, é difícil. No nosso padrão de vida e de relacionamentos judaico-cristão-ocidental-capitalista é muito bom ter alguém, ser o parzinho de alguma pessoa. Ter um outro que goste da gente, que nos dê atenção. O mundo ocidental é o exterior, voltado ao objeto. Por isso valorizamos tanto o outro. Enquanto isso, do lado oriental do planeta se valoriza o interior, é um mundo voltado ao sujeito, ou seja, a nós mesmo. E essa transição não é fácil. É como sair da cama em um dia frio de inverno. Você sabe que tem que sair, mas o status quo é muito confortável.
Então por isso que é preciso evoluir, dar um passo adiante. Perceber que ser amado é uma conseqüência da vida e das relações que nos pretendemos, e não uma condição para ser feliz ou para estar com alguém. Eu sei, parece complicado e até mesmo triste. Estar com alguém que não te ama. Mas quem ama, ama por amar, não para ser amado. O amor não é uma lojinha de conveniências onde você faz uma troca de sentimentos, passa no caixa e pronto. “Amor com amor não se paga”, diria Drummond.
Por isso que quando duas pessoas se amam de verdade o impossível acontece. Essa é a relação correta. Talvez o certo fosse primeiro a gente aprender a amar bastante, e depois se encontrar, viver junto, e trocar amores entre os dois. As coisas seriam mais simples. E olha, moça triste, às vezes a gente pode até não ter alguém que nos ame daquela maneira que gostaríamos, mas o mais importante, mesmo, é nunca faltar alguém para amar.
Falando assim até me veio aquela velha música do Jefferson Airplane, que canta assim “don’t you need somebody to love?” Vamos lá, vamos tirar o pé da cama nesse inverno de corações!